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Amaarae e o futuro do pop africano

25 de maio de 20264 min read

Criada entre Estados Unidos e Gana, Amaarae é, de longe, uma das atrações mais instigantes da edição 2026 do C6 Fest. Ao promover uma fusão entre R&B e afropop, a cantora ganesa-americana desafia a estética musical contemporânea e mostra que ainda estamos longe de cruzar todas as fronteiras do pop.

Ao longo de décadas de boa — e também péssima — música produzida nos grandes centros musicais do planeta, nos acostumamos a enxergar o pop como uma vertente que, vez ou outra, busca energia em novas influências e se reinventa, ganhando sobrevida e elevando seu sarrafo para um novo capítulo.

Basicamente, trata-se de uma montanha-russa que não para de correr: sobe e desce e, em seus pontos mais altos, sempre apresenta algo novo, grandioso. E talvez seja exatamente esse o erro. O pop não precisa ser grande — precisa ser bom. E ao desconhecer essas fronteiras, a cantora ganesa-americana Amaarae surge como um oásis intimista dentro da música pop.

Atração do C6 Fest, a cantora foi criada entre Estados Unidos e Gana, crescendo sem saber exatamente onde uma estética termina e outra começa. Amante do afropop e do afrobeats tanto quanto do R&B produzido em Nova York, Amaarae faz parte de um seleto grupo de artistas que o mundo considera “cool” demais para ser pop e não tão alternativo por furar uma bolha imaginária de público. Cantoras como M.I.A. e FKA twigs são bons exemplos disso.

Com três álbuns lançados, o mais recente deles é o ótimo Black Star (2025). Amaarae sabe bem o que esse disco representa, especialmente na capa, onde é posicionada como a estrela da bandeira de Gana. Em um trabalho onde explora suas raízes africanas, a cantora apresenta um pop que se funde ao R&B e se afasta da estética dominante do pop americano. É um disco em que afirma sua identidade diaspórica e expande ainda mais a força de sua música.

Intimista e dona de uma voz quase infantil, Amaarae derruba qualquer expectativa tradicional de gênero e identidade no pop. Frequentemente associada ao movimento “alté” — abreviação de alternative — no continente africano, a cantora representa uma geração de artistas que não estão presos à ideia de música regional, mas a uma estética verdadeiramente global.

Ao longo de seus três trabalhos, Amaarae flerta com hip-hop, reggae, dancehall e, principalmente, afropop, tudo dentro de uma embalagem que sabe provocar ao promover tantas experiências dentro de uma única música. Ao vivo, ao menos para o público brasileiro, é uma incógnita pronta para ser descoberta — seja como uma artista intimista ou pronta para as pistas. Na música da cantora ganesa-americana, o dancehall caminha tão próximo do R&B que não sabemos qual lado abraçar — enquanto abraçamos ambos.

Em um line-up tão plural quanto o do C6 Fest, uma artista como Amaarae simboliza o novo — mas não o novo como mera novidade, e sim como a ausência de barreiras que, mais do que nunca, precisamos derrubar.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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