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Anton Newcombe e o caos como psicodelia

13 de novembro de 20254 min read

Anton Newcombe, mente por trás do Brian Jonestown Massacre, volta ao Brasil com um legado onde o caos é método e a psicodelia, linguagem.

O ano é 2025 e certamente não há alguém capaz de traduzir o que é exatamente Anton Newcombe — a mente criativa por trás do Brian Jonestown Massacre. Assim como também é praticamente impossível explicar a sonoridade do grupo, que tem seu nome inspirado em um ex-integrante dos Rolling Stones (Brian Jones) e no mórbido Massacre de Jonestown, quando o psicótico Jim Jones levou mais de 900 pessoas a praticarem um suicídio coletivo depois de ingerirem uma espécie de Ki-Suco com cianeto. Definitivamente, não estamos diante de uma banda normal.

Aliás, “normalidade” é seguramente uma palavra que passa longe do dicionário de Newcombe. Capaz de mudar um setlist durante a execução das músicas, ele muda de direção com a mesma facilidade com que troca os membros de sua banda, formada no início dos anos 1990, em San Francisco.

Com uma discografia de mais de 20 álbuns de estúdio — sendo três deles lançados em 1996 — o grupo carrega o rótulo de “rock psicodélico”, mas talvez esse “rock” seja muito mais uma questão estética do que sonora. Com um pé no folk e um flerte constante com a música eletrônica, já fez literalmente de tudo — ao menos tudo o que passa pela cabeça de seu vocalista. Por isso, é difícil escolher um álbum como destaque, exceção feita à trinca de 1996, que tem Their Satanic Majesties’ Second Request como um bom cartão de visitas. Dali por diante, é como se Neil Young e Wayne Coyne, do Flaming Lips, sentassem numa cafeteria. Apenas sente e ouça.

Esse caos que rodeia o grupo americano talvez seja exatamente o que podemos entender como psicodelia moderna. Ao não atender nenhum requisito da indústria fonográfica — a qual odeia mortalmente — Anton Newcombe é um daqueles artistas que escolheu dar forma à sua música alheio a qualquer tendência, praticamente criando a sua própria. De uma sonoridade que migra da intensidade para o minimalismo de uma hora pra outra, ele segue produzindo o que realmente tem em mente — talvez a única conexão que ainda tenha com grupos sessentistas como os conterrâneos do Grateful Dead ou do It’s a Beautiful Day.

O último álbum do grupo, The Future is Your Past (2023), pode até servir de referência para o repertório que o público vai encontrar no fim do mês, em São Paulo. Mas tudo depende do humor do vocalista. E para quem assistiu ao documentário Dig! (2004), que mostra a trajetória das bandas The Brian Jonestown Massacre e The Dandy Warhols, sabe-se que tudo depende do dia. Independentemente da escolha, a única certeza é que, em cima do palco, o caos vai ser a força criativa do show. Dito isso, embarcar junto não é uma questão de escolha — não é todo dia que se vê Anton Newcombe ao vivo.

Serviço:

The Brian Jonestown Massacre em São Paulo

+ bandas de abertura

Data: 28 de novembro de 2025 (sexta-feira)

Horário: 20h

Local: Espaço Usine (R. Barra Funda, 973 – Barra Funda, São Paulo – SP)

Ingressos online aqui

Valores: 1º lote: R$220,00 (Meia Estudante), R$ 230,00 (Meia Solidária – mediante doação de um 1 kg de alimento não perecível), R$ 440,00.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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