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Belle and Sebastian | A banda que nunca envelheceu

12 de abril de 20265 min read

Embora não pareça, o grupo escocês Belle and Sebastian completa 30 anos nesse 2026. Da euforia indie do fim dos anos 90 até os tempos atuais, o grupo de Stuart Murdoch segue o mesmo. O tempo passou para os fãs, mas não para a banda.

Formado na esteira do britpop, poucos fenômenos do chamado rock alternativo se tornaram tão emblemáticos nos anos 90 quanto os escoceses do Belle and Sebastian. Com nome inspirado no livro e na série francesa de televisão Belle et Sébastien, criada por Cécile Aubry, o grupo surgiu dentro do curso Beatbox, em Glasgow, voltado a desempregados que queriam trabalhar com música. Não era exatamente uma banda “formada” — era quase um experimento institucional. E isso ajuda a explicar o começo improvisado e o espírito coletivo inicial.

A quantidade de curiosidades que cercam o Belle and Sebastian é tão grande que se tornou impossível enquadrá-lo como um grupo comum. E talvez seja justamente essa despretensão em ser famoso que tenha feito com que fossem tão amados pelo público. O primeiro álbum, Tigermilk, foi praticamente um disco “fantasma”: apenas 1000 cópias em vinil, que rapidamente se transformaram em item cult — antes mesmo de a banda existir de fato. Em um fenômeno quase “Bruxa de Blair”, muita gente ouviu falar do disco antes de ouvi-lo.

Escrevendo as letras enquanto enfrentava uma síndrome da fadiga crônica, Stuart Murdoch vivia isolado, observando o mundo de fora. Essa fase acabou sendo determinante para a estética da banda: personagens à margem, introspectivos, quase invisíveis. A delicadeza do Belle and Sebastian nunca foi por acaso.

Desde o início, o Belle and Sebastian não parecia uma banda que iria envelhecer — e talvez nunca tenha sido.

Em uma era pré-internet, os integrantes — muitos, desde o início — recusavam entrevistas, evitavam sessões de fotos e quase não apareciam publicamente. Por isso, a ascensão da banda se deu de forma orgânica, baseada em boca a boca, fanzines e fitas copiadas. Foi assim que If You’re Feeling Sinister, o primeiro disco “comercial”, começou a ultrapassar os limites de Glasgow.

No Brasil, esse impacto só seria sentido quando a banda já chegava ao seu quarto álbum, Fold Your Hands Child, You Walk Like a Peasant (2000). Lançados por aqui pela Trama de uma só vez, eles chegaram ao Free Jazz com uma histeria poucas vezes vista no festival. E, mesmo com um repertório já extenso, tudo parecia ter sido composto e produzido ao mesmo tempo.

Essa atmosfera quase “Peter Pan” ficava ainda mais evidente com a presença de Sarah Martin, uma espécie de eixo silencioso do grupo, responsável por trazer essa sensação de “camada extra” — quase orquestral — que se tornaria marca registrada da banda.

O Belle and Sebastian pós The Life Pursuit (2006) soa como um grupo de adolescentes que terminou a faculdade. Experimenta novas sonoridades, passa por mudanças, mas nunca abandona a aura inocente que marcou seu início. Os fãs, por outro lado, parecem ter envelhecido mais rápido que o próprio Murdoch, que segue essencialmente o mesmo — agora com alguns cabelos brancos e presença nas redes sociais.

Muita coisa aconteceu no mundo — e na própria trajetória da banda — até Late Developers (2023). Mas o Belle and Sebastian, aquele dos anos 90, parece nunca ter visto o tempo passar. Algo que definitivamente não aconteceu com seus fãs.

Atualmente, o Belle and Sebastian está excursionando com a íntegra de seus dois primeiros álbuns. Um show que tem cara de nostalgia, mas para os fãs seria como se fosse executado pela primeira vez.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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