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Dimitri from Paris: a elegância que moldou a pista moderna

5 de dezembro de 20254 min read

Um dos precursores da Nu-Disco moderna, DJ francês retorna ao país respaldado por remixes que reescreveram a história de grandes nomes da música pop.

Em um universo tão fluido como a música eletrônica, se manter relevante por um longo período é certamente o maior desafio para qualquer produtor. Mais que isso, conseguir ser respeitado por reinventar clássicos e colocar em evidência suas grandes influências e paixões passa por um processo ainda mais delicado, mas não no caso do DJ francês Dimitri from Paris.

De malas prontas para mais uma passagem pelo país, o produtor francês é reconhecido por ser uma das referências da música eletrônica francesa dos anos 90, quando lançou o seminal Sacrebleu, disco que é considerado por muitos a porta de entrada da French Touch, onde assinou a estética de um movimento que fundia house, lounge, jazz e sonoridades retrô de forma elegante e tão autoral. Tudo isso antes da avalanche provocada por nomes como Daft Punk e Cassius.

Responsável por levar a música eletrônica para a alta costura, foi personagem central em desfiles lendários de marcas como Chanel, Yves Saint Laurent e Jean-Paul Gaultier, além de ser um dos pioneiros da cultura dos edits antes do boom do SoundCloud, praticamente reescrevendo a história de faixas esquecidas da disco music. Aliás, foi com seu olhar apurado que, ao longo da carreira, fez de remixes de grandes clássicos da música faixas praticamente autorais.

Conhecido como o “DJ dos remixes impossíveis”, o produtor francês praticamente redefiniu faixas que vão de Björk a New Order. Essa eficiência acabou dando a ele o reconhecimento de nada menos que Nile Rodgers, do CHIC, com quem lançou uma coleção de remixes de faixas de sua banda e produções marcantes com o Sister Sledge. Tudo com cara de novo, mas pela ótica ainda mais dançante do produtor francês.

Produtor de diferentes trilhas de filmes e programas de TV, especialmente no Japão e na França, conseguiu levar essa assinatura ‘retrô-chic’ para fora das pistas. Ao longo dos anos, somou inúmeras colaborações, por exemplo, com a Radio Nova e para o canal francês Canal+. Seu modo de produção levou a Paris inúmeros produtores de todo o mundo em busca de remixes seus ainda antes do início da era MP3, na virada do século.

Principal nome da lendária série “Playboy Mansion”, lançou três álbuns que se tornaram um marco absoluto: uma compilação que misturava disco, soul, house, edits e clima sofisticado — pensada como a trilha sonora de uma festa imaginária na mansão do fundador da editora Playboy. O primeiro desses volumes, A Night at the Playboy Mansion (2000), lançado no Brasil, se tornou um marco e levou o público a admirar sua obra com maior cuidado. Em outras palavras, Dimitri from Paris ressignificou a disco “de dança” dos anos 70/80 para o mundo moderno. Tarefa que vem executando com maestria há quase 30 anos.

Mais que um grande seletor, o produtor francês segue trilhando sua história alheio a tendências e grandes produções. Se apresentando ocasionalmente de terno, sua marca registrada, Dimitri nos deixa no ar a mesma ideia da expressão: “isso é para dançar de terno”.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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