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Magdalena Bay e o pop ao avesso na era da internet

20 de fevereiro de 20263 min read

Com uma sonoridade que lembra música de TikTok feita por quem estudou Stravinsky, a dupla norte-americana Magdalena Bay chega ao C6 Festival com uma estética que tensiona o pop artificial por meio da ironia e do excesso.

Escondido em um line up onde os principais destaques de seu dia de apresentação são Robert Plant e Os Paralamas do Sucesso — entre outros —, a dupla norte-americana Magdalena Bay é certamente uma das atrações mais exóticas para simbolizar o pop pós-internet em um festival que prima pela pluralidade.

Formada pelo casal Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, a dupla tem dois discos lançados e vem ao país pela primeira vez para apresentar uma música que soa como uma trilha sonora cerebral de um jogo de videogame, mas com cara de música de elevador.

Sim, parece estranho, mas a história da dupla mostra que o pop contemporâneo pode ser de enorme complexidade, mesmo parecendo ter cara de simples. Lembra daquele meme que diz “isso é muito Black Mirror”? Então, talvez essa seja a melhor forma de falar do pop do Magdalena Bay.

Com uma sonoridade que lembra nomes como Empire of the Sun e Goldfrapp, referências expressivas do indie pop, a dupla americana explora literalmente em seus trabalhos a música como trilha sonora de seus ambientes imaginários, algo que é perceptível na direção de arte de seus videoclipes. Parece um tanto vago, mas, com a experiência de dois artistas apaixonados por rock progressivo, isso se torna muito mais fácil de entender. É como se o Yes ficasse trancado numa sala com o MGMT e o australiano PNAU: parece simples, mas não é.

Seu segundo álbum, Imaginal Disk, soa como uma obra de ficção científica realizada dentro do clipe de California Girls, de Katy Perry. Tudo é cheio de cor, repleto de andamentos que se contrapõem e que soam, estranhamente, simples. A principal influência da dupla nesse projeto? Peter Gabriel.

Ao propor essa musicalidade tão antagônica, o Magdalena Bay se apresenta com um pop que desafia a artificialidade, fazendo da mesma sua matéria-prima. São cenários permeados pela voz doce de Mica e por programações que se enveredam por obras conceituais que parecem episódios de Black Mirror, cada um contando uma história diferente.

No C6, a dupla surge como opção em uma data que tem tudo para reverenciar as raízes da música americana através de Robert Plant e a longevidade dos Paralamas — e até mesmo do pop de Lykke Li. Solto no espaço, o som do Magdalena Bay tem tudo para promover uma verdadeira viagem audiovisual.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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