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Pastor Chris e o disco gospel mais bizarro já gravado

28 de abril de 20263 min read

Prepare-se para um dos discos mais surreais dos últimos tempos.
Diretamente das montanhas Apalaches, esse álbum foi gravado ao vivo… dentro de um culto onde as pessoas podem morrer durante a música.

Ao longo da vida, quando alguém fala em música gospel americana, o que vem à sua cabeça? Al Green? Aretha Franklin? Ray Charles ou Whitney Houston?
Aquele som vigoroso, lento, límpido e repleto de fé, correto? Talvez até seja isso — mas não em um culto promovido por Pastor Chris nas montanhas Apalaches. Aqui, em meio ao caos sonoro, você vai precisar de muita fé para se manter vivo até o fim do culto. E, acredite, vale a pena.

Lançado sob o título Pastor Chris Congregation – West Virginia Snake Handler Revival, pelo selo Sublime Frequencies, o disco é um dos registros mais impressionantes do gênero nos tempos modernos — e motivos não faltam. Bem distante da soul music que consagrou tantos artistas do gospel, o álbum aposta em uma sonoridade crua, repetitiva e caótica. Um garage rock que se funde ao folk em uma dinâmica quase dançante — e profundamente assustadora.

Já reparou no “snake handler” do título? Sim, estamos falando exatamente disso: o manuseio de cobras. Parece absurdo, mas igrejas pentecostais isoladas nos EUA manipulam cobras venenosas durante o culto, baseadas em um trecho bíblico que diz “they shall take up serpents”. E, embora assuste — muito —, essa é uma tradição rara dos Apalaches. Existe o relato de que o próprio Pastor Chris foi picado durante esse culto… mas o mais estranho é que você não sabe exatamente quando — o som já é caótico o suficiente para isso passar despercebido.

Musicalmente, tente imaginar uma fusão envolvendo The Cramps e Nick Cave. Não dá para duvidar da fé declarada em cada faixa, nem da intensidade caótica que se estabelece ao longo das 12 músicas em pouco menos de meia hora. Você realmente tem a sensação de estar dentro de algo único — e de não sair o mesmo depois disso.

Embora tenha cara de banda, Pastor Chris Congregation funciona mais como um crédito artístico-documental do que como um artista tradicional. Não espere turnês ou apresentações: trata-se do registro de um culto real, extremamente incomum para a maioria das pessoas.

West Virginia Snake Handler Revival é daqueles discos que você não ouve apenas uma vez. Talvez você nunca tenha coragem de segurar uma cobra em um culto — mas é um recorte tão singular que precisa ser experimentado. Se não presencialmente, ao menos através desse impressionante álbum.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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