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A fase “rádio rock” de Paul Gilbert

2 de março de 20264 min read

Ao deixar de lado os excessos do guitar hero, Paul Gilbert se reinventa como compositor e vocalista e, com irreverência, constrói um dos discos mais interessantes de sua trajetória.

Não é de hoje que o nome de Paul Gilbert remete qualquer um à imagem de um dos mais virtuosos nomes da guitarra neste século. Dono de um protagonismo ímpar na história do Mr. Big, o guitarrista americano acabou tendo sua imagem vinculada a excessos na guitarra.

Essa escolha também acabou por afastá-lo de quem não tem paciência para essa imagem de “guitar shredders”, aqueles dedicados a solos de altíssima velocidade e precisão absurda. Disposto a mudar esse rótulo, Gilbert lança neste início de 2026 um de seus discos mais “palatáveis”, WROC, álbum que caberia com tranquilidade na programação da rádio rock da sua cidade.

Sempre na linha de frente de seus álbuns, Paul Gilbert adotou uma postura mais cômica em relação às suas performances e à direção de arte de seus trabalhos. Em WROC, além da irreverência, está lá um de seus discos mais “simples”, onde finalmente sua posição como frontman se sobressai ao papel de guitarrista.

E o próprio título do álbum já diz tudo. WROC é uma espécie de nome de estação de rádio, com uma sigla realista e o inevitável trocadilho com “rock”. A título de curiosidade, nos EUA rádios a leste do rio Mississippi começam com a letra W. Exemplos: WABC, WNYC e… WROC.

De fato, WROC é um disco que está muito mais próximo das influências de Paul Gilbert do que da imagem que acabou construindo no pós-Mr. Big. Trata-se de um álbum divertido do início ao fim, no qual os poucos excessos dão dinamismo e não cansam o ouvinte. Faixas como Maintain a Sweet and Cheerful Countenance, Show Not Yourself Glad ou Orderly and Distinctly trazem o vocal do guitarrista em primeiro plano e caberiam perfeitamente nas programações das rádios rock do país — talvez o grande objetivo do disco.

Embora a expressão “música de rádio” tenha sido vulgarizada pelo que se tornou o ambiente pop, no caso de WROC estamos falando de algo de alta qualidade: o rock que qualquer fã gostaria de ouvir numa rádio pela manhã. Uma das melhores do disco, Let Thy Carriage, tem aquele potencial certeiro para figurar entre as Top 10 da emissora ao fim do dia.

Composto por 13 faixas, WROC é o melhor disco de Paul Gilbert em anos, ainda que seu sarrafo seja naturalmente alto. Talvez por ser mais acessível e derrubar uma barreira que hoje separa o virtuosismo da acessibilidade, o guitarrista se posiciona agora também como um ótimo frontman, algo vital para abrir caminho ao grande público. Em poucas palavras, WROC faz jus ao nome e é um disco para quem gosta de rock — e ainda mais para quem gosta de rádio.

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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