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Seun Kuti e a internacionalização do Afrobeat

6 de novembro de 20254 min read

Em Heavier Yet, Seun Kuti transforma o legado do pai em força global — um Afrobeat que rompe fronteiras e fala para o mundo.

Existem sobrenomes na música que são pesados demais para serem carregados. Sean e Julian Lennon, Jakob Dylan, Norah Jones (filha de Ravi Shankar), Nancy Sinatra (filha de Frank Sinatra) e boa parte dos filhos de Bob Marley que o digam.

Ainda que tenham conquistado respeito e algum sucesso comercial, é difícil justificar que tenham conseguido manter tão intacto o legado de seus pais quanto Seun, filho do lendário Fela Kuti. Em uma extensa turnê pelo Brasil, o saxofonista traz na bagagem Heavier Yet, disco com um potencial assustador de fazer valer as palavras do lendário pai do Afrobeat, agora dialogando com vertentes mais populares.

Produzido por Lenny Kravitz, o disco é muito mais que Afrobeat — mesmo sem abandonar a estética imortalizada por Fela no auge da carreira. Ao apresentar uma música de protesto que também convida à dança, Seun mostra, em seu novo álbum, a capacidade de dialogar com vertentes como o hip-hop e o reggae. Para isso, conta com as participações de Damian Marley e da rapper zambiana Sampa The Great.

Lançado cerca de seis anos após o álbum anterior, Black Times (2018), o novo trabalho mantém a banda Egypt 80, sequência direta da lendária Africa 70 liderada por seu pai. E ainda que preserve uma mensagem potente — abordando resistência, libertação e orgulho cultural —, faz de suas seis longas faixas uma trilha perfeita para a comunhão. Sim, para dançar. É intenso, repleto de groove e tem tudo para furar a bolha que até mesmo Fela não conseguiu — e talvez nem quisesse.

Transformar o Afrobeat em uma música de potência global faz de Heavier Yet um disco de porta de entrada. Parece irônico para alguém com tantas décadas de carreira, mas aqui Seun parece disposto a explicar, de forma mais palatável, como a música pode ser uma arma (parafraseando o documentário Music Is a Weapon, de 1982) sem soar tão ameaçadora a quem está disposto a ouvi-la.

Um dos momentos mais marcantes do álbum é, sem dúvida, Dey, onde o Afrobeat dialoga de forma eficiente com o reggae/rap de Damian Marley. Essa atmosfera mais acessível se reforça nas ótimas Love and Revolution e Move — presenças certas em seus shows.

Heavier Yet não é um disco menos engajado na obra de Seun. Todos os elementos que mantiveram viva a chama do Afrobeat criado por seu pai continuam lá — só que agora apresentados de maneira mais direta, mais aberta ao mundo. Respeitado no meio artístico, o saxofonista nigeriano pode finalmente ver as palavras de Fela ecoarem ainda mais longe de Lagos.

  • Serviço

Seun Kuti e Egypt 80 em São Paulo

Local: Bourbon Street Music Club (Rua dos Chanés, 127 – Moema, São Paulo – SP, 04087-031)

Data: 16 de novembro de 2025

Horário: a partir das 20h

Ingressos: R$ 100 a R$ 500

na Shotgun: https://shotgun.live/en/events/seun-kuti-no-bourbon-street-sao-paulo

Classificação 18 anos

Mais informações: https://bourbonstreet.com.br/

Anderson Oliveira

Diretor de Arte há duas décadas, fã de Grateful Dead e Jeff Beck, futuro trompetista e em constante aprendizado. Bem-vindos ao meu mundo, o Mundo de Andy.

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